Vereador de Morada Nova vai para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; entenda
Júnior do Dedé foi beneficiado por prerrogativas do Estatuto do Advogado.
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Preso preventivamente na última quinta-feira (12), o vereador e ex-secretário de Administração de Morada Nova, Júnior do Dedé (PSB), deixou a Delegacia de Capturas e Polinter (DECAP) e foi para a prisão domiciliar. A conversão de regime consta em decisão publicada no Diário Oficial da Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (16), que também determinou o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
Júnior do Dedé é suspeito de financiar a campanha eleitoral dele, em 2024, com recursos oriundos da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). Ele e outros quatro vereadores foram alvos da Operação Traditori, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/CE).
O desembargador eleitoral Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos concedeu a liminar porque o político também é advogado regularmente inscrito na OAB, e tem o direito de ser recolhido, antes do trânsito em julgado, em Sala de Estado-Maior. Na sua ausência, como é o caso, a alternativa é a prisão domiciliar, conforme estabelece o Estatuto da Advocacia.
Na Decap, local em que estava preso desde a semana passada, não há instalações exigidas pelo Estatuto. Esta é uma carência de todo o sistema prisional do Ceará, apontou a defesa do vereador, alegando "constrangimento ilegal".
Agora, o acusado somente poderá se ausentar de sua residência com autorização judicial ou em caso de urgência ou emergência médica. Com monitoramento eletrônico, ele também é proibido de manter contato com qualquer pessoa ligada ao processo, testemunhas ou envolvidos nos fatos apurados.
A violação de qualquer uma dessas medidas poderá levar à revogação do benefício e à decretação de uma nova prisão preventiva.
Como Júnior do Dedé é citado na investigação?
Os cinco parlamentares presos na última quinta-feira são suspeitos de receber dinheiro da facção criminosa para o financiamento das suas campanhas nas eleições de 2024, com promessas de ajuda na estratégia de infiltração do grupo na política do município. No mesmo processo, um 6° vereador também é investigado, mas não chegou a ser preso.