Pais de aluno atacado em escola de Fortaleza buscam responsabilização ‘para evitar que violência se repita’
Os familiares pedem que não haja banalização do caso e temem que, mais à frente, o reflexo seja novas violências em outras instituições e redes escolares.
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Ter a vida impactada por uma violência extrema que não pode ser ignorada sob risco de que, negligenciada, siga fazendo mais vítimas. Passados 3 dias do ataque ocorrido no Colégio Christus, uma escola particular em Fortaleza, no qual um aluno feriu outro estudante e dois profissionais da instituição, o adolescente atingido segue em recuperação em casa.
A família, também em processo de reconstrução, defende a responsabilização das diversas partes no caso, já que, avalia a mãe — que não será identificada para preservar a identidade do estudante — “hoje, tá tão banal a violência... e omissões podem repercutir em outros grupos”.
Na tarde da quinta-feira (4), uma equipe do Diário do Nordeste esteve na residência da família e ouviu a mãe, o pai e o irmão do adolescente ferido. A decisão de não identificá-los busca preservar a integridade dos familiares e, sobretudo, resguardar a identidade do próprio adolescente, vítima de uma ação violenta e traumática.
Pelo mesmo motivo, o jornal, também, durante toda a cobertura do caso, optou por não narrar de forma detalhada os atos de violência vivenciados pelas vítimas, considerando os possíveis efeitos negativos e a baixa contribuição social que a exposição minuciosa desse tipo de conteúdo pode provocar.
Nesta quinta-feira, a família, que ao longo da entrevista reiterou estar comovida, disse à reportagem que, no momento, não há definição de como se dará o desfecho do ano letivo ou mesmo de como será o futuro escolar do estudante ferido. A ênfase agora, destacam, é garantir amparo, aconchego e acolhimento ao adolescente, que segue se restabelecendo na própria residência.
Responsabilidade de todos
Nesse processo, a família manifesta receio de que o ataque na escola seja “banalizado” como mais um caso, ainda que essas situações sejam sempre assustadoras, trágicas e mobilizem a sociedade. O medo, ponderam, é de “cair no esquecimento”, com o passar dos meses, e que essa banalização mais à frente se reflita em novas violências em outras instituições e redes escolares.
Por isso, apontam, é preciso cobrar a responsabilização do adolescente agressor, do colégio, mas também reforçar o papel das famílias, e avançar no que precisa ser feito coletivamente, como sociedade, para que situações traumáticas como a vivenciada no colégio não voltem a ocorrer.